Saneamento Ecológico na Promoção da Saúde

Nos caminhos das águas do Brejal.

O Projeto “Nos caminhos das águas do Brejal! Saneamento Ecológico na Promoção da Saúde” é uma iniciativa da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS), do Fórum Itaboraí (Fiocruz Petrópolis) e do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA) da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz).

Inspirado em uma visão ampliada de saúde, na perspectiva da Determinação Social da Saúde, o projeto parte do entendimento de que a saúde é socialmente produzida. Ou seja, resulta de condicionantes e determinantes sociais e ambientais, em um contexto no qual as desigualdades sociais se traduzem em iniquidades em saúde. Nesse cenário, as maiores cargas de doenças, sobretudo aquelas evitáveis, recaem justamente sobre grupos historicamente vulnerabilizados e alvo de discriminação étnico-racial.

Para enfrentar essa realidade, o projeto foi estruturado como uma rede interna de colaboração entre VPAAPS, Fórum Itaboraí e DSSA/ENSP, reunindo um grupo multidisciplinar de especialistas em Saúde Pública, Engenharia, Ciências Sociais, Ambientais e da Terra. Essa composição amplia a capacidade de compreender e intervir sobre problemas complexos que envolvem, ao mesmo tempo, saúde, ambiente e desenvolvimento local.

Tendo a água e o saneamento como eixos centrais na agenda de saúde e meio ambiente, especialmente em áreas rurais, o projeto foi concebido de forma participativa e dialógica. Sua construção partiu das demandas apresentadas pelo grupo de agricultores e de um diagnóstico preliminar das condições locais de captação e armazenamento de água, irrigação, tratamento pós-colheita, entre outros riscos ambientais e aspectos relacionados à saúde. A partir desse processo, o projeto afirma o acesso à água potável e ao saneamento não como um bem de consumo, mas como um direito de todas as pessoas.

Seu principal objetivo é promover melhorias nas condições sanitárias e no manejo das águas na região do Brejal, por meio de soluções fundamentadas na abordagem permacultural e em tecnologias sociais e/ou ecológicas. Essas ações são orientadas pela perspectiva do desenvolvimento local, da promoção da saúde, do uso sustentável dos recursos naturais, da redução das desigualdades sociais e da melhoria da qualidade de vida das famílias agricultoras.

No seu escopo, o projeto prioriza a mobilização, o envolvimento e a capacitação de agricultores e agricultoras, bem como a apreensão crítica da realidade local. Para isso, utiliza ferramentas participativas do Diagnóstico Rápido Participativo (DRP), com o objetivo de construir, de forma coletiva, propostas de solução para o aperfeiçoamento das condições sanitárias e do manejo das águas.

Em sua fase executiva, o projeto está implantando Unidades Demonstrativas como estratégia de formação, disseminação do conhecimento e experimentação em campo. Essas unidades buscam favorecer a reaplicação das tecnologias desenvolvidas, apoiando processos de transferência tecnológica para o território e fortalecendo a autonomia das comunidades na gestão da água, do saneamento e da saúde.